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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O amor de Ana

Tudo começou de maneira tão discreta, sutil, foi assim que ela se aproximou de mim. Eu... Quem sou eu? Chamo-me Alice e tenho 23 anos, há oito anos conheci a Ana, para ser bem sincera não me lembro bem como a conheci, mas sei que sem ao menos perceber ela entrou na minha vida e tomou conta de tudo.
Até esse dia eu tinha uma vida como há de qualquer outra garota, tinha amigos, uma vida social, uma família que eu pensava ser estável e feliz. Mas de um momento para o outro as coisas começaram a ruir, como com os meus pais que se divorciaram quando eu tinha 15 anos de idade. Apesar de ter encarado o fato de maneira madura, no fundo um sonho se destruía.
Exatamente nessa época a Ana se aproximou aos poucos fui dando espaço para que ela entrasse em minha vida. Nos primeiros dias foram um tanto estranhos, eu não sabia muito bem como agir o que fazer, mas logo eu e Ana entramos em um acordo e eu passei a estar sempre com ela.
Amigos? Não somente a Ana era minha verdadeira amiga, só ela me entendia, só ela conseguia fazer com que eu me sentisse feliz, os outros pareciam só querer o meu mal, me obrigavam a fazer aquilo que eu não queria.
Família, nessa época era quase nulo para mim. Minha mãe estava mais preocupada com a própria vida nova que ela buscava a sua nova liberdade, e meu pai havia esquecido que eu existia. Eu era a ovelha negra, a garota que ia contra tudo que era “certo” alías certo para eles, não para mim.
A Ana era a única que me apoiava em minhas decisões, através dela depois de algum tempo conheci amigas em comum, meninas que como eu queria a mesma coisa , estar sempre “bem”.
Mas a minha amizade com a Ana começou a ficar um pouco complicada, pois minha mãe resolveu se envolver e tentou me afastar dela, ela dizia que eu estava doente por causa da Ana, que eu deveria me afastar que ela me fazia mal.
Mal? Com ela eu me sentia feliz, realizada, bonita, sexy, com a Ana eu me sentia completa, era um amor platônico. Um amor cego que não me deixava blindada para uma realidade que estava me matando. Nessa época eu tinha 17 anos, a blindagem que a Ana colocou em meus olhos me impediu de ver que eu estava morrendo. Estava 13 Kg abaixo do meu peso ideal, em dois anos adiquiri vários problemas de saúde.
Com 15 anos eu pesava 55 Kg era uma garota cheia de amigos uma vida saudável, tudo igual a qualquer adolescente. Já aos 17 pesava 42 Kg, tinha uma saúde frágil, uma depressão a ser tratada, síndrome do pânico, entre outros transtornos. Mas todos esses efeitos vieram de uma única coisa. A Ana que citei em todos os momentos desse texto, era Anorexia, mais carinhosamente chamada de Ana pelas pessoas mais intimas.
Aos 17 descobri que tinha um transtorno alimentar, chamado Anorexia nervoso e que matava milhões de garotas por ano no mundo todo, ela não se chagava apenas a classe A como lindas modelos que desejavam ser magras e esbeltas, ela estava em todos os lugares. Pessoas que jamais sonharam estar doentes morriam sem nem saber qual o real motivo de sua partida.
Aos 17 anos depois de vários desmaios, algumas internações, e de perder dois anos de colegial e um emprego por não ter forças para continuar, me dei conta de todo o erro que cometi, estava doente perdendo a melhor fase da minha vida por medo de ser GORDA!
Por medo de não ser aceita em uma sociedade onde a beleza e o corpo valem muito mais do que a vida das pessoas. Com quase dezoito comecei um tratamento de choque, passei a pesquisar histórias estudos médicos, ver programas, ler livros sobre esse assunto. Descobri imagens e coisas horríveis. Garotas que se comunicavam via internet para trocar idéias de como perder peso rápido, como driblar, pais, médicos, e qualquer pessoa que pudessem impedir seus desejos.
Resolvi então pedir ajuda e começar a me tratar, aos poucos voltei comer, muito pouco já que passei muito tempo vivendo praticamente de água (mesmo achando que ela também me engordava). Após um período de recuperação tornei a cair em tentação, e assim eu passei por longos períodos de altos e baixos.
A Mia entrou na minha vida mais ou menos dois anos depois com 19 anos. Mais uma vez toda a historia se repetiria, eu me via internada em hospitais, sozinha, e doente. A família depois de um momento de ausência tornou-se viva, me ajudando e me trazendo de volta a vida.
Hoje com 23 anos, peso 50 Kg , cinco a menos do que eu deveria pesar, mas uma “magreza saudável”.
A Ana... Ela ainda faz parte da minha vida. Sim eu costumo dizer que a Ana é uma amiga que apesar do tempo e do destino me afastar dela, ela sempre se lembra de mim. Ela sempre me manda lembranças. Como um anjo e um diabinho sempre presente.
A Ana é sim como o primeiro amor... Inesquecível.

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